CNAE: O que é? Para que serve? E como escolher o código correto para sua empresa?

Atualizado em 26/10/2025

A CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que identifica e padroniza as atividades econômicas exercidas por empresas e instituições no Brasil.
Mais do que um número, ela define a natureza do negócio, influencia diretamente na tributação, obrigações fiscais, enquadramento sindical e até na regularidade do CNPJ.

Escolher o CNAE correto é uma das etapas mais importantes ao abrir ou atualizar uma empresa, e também uma das que mais geram erros. Um simples equívoco pode levar ao pagamento indevido de impostos, perda de benefícios fiscais e até à exclusão de regimes tributários como o Simples Nacional.

Neste artigo, você entenderá o que é o CNAE, como ele é estruturado, quais são seus impactos legais e tributários, e o que fazer para escolher ou corrigir o código da sua empresa com segurança.

O que é CNAE?

A CNAE é um sistema criado para padronizar as atividades econômicas desenvolvidas no país.
Ela é composta por um código de 7 dígitos, dividido em cinco níveis de detalhamento:

  • Seções: 21 no total, correspondem ao primeiro número da CNAE;

  • Divisões: 87 no total, correspondem ao segundo número;

  • Grupos: 285 no total, identificados pelo terceiro número;

  • Classes: 673 no total, representadas pelo quarto número e pelo dígito verificador;

  • Subclasses: 1.301 no total, formadas pelos dois últimos números após o dígito verificador.

Essa hierarquia permite uma classificação detalhada e organizada das atividades econômicas, auxiliando órgãos públicos, empresas e entidades de pesquisa.

Para que serve a CNAE?

A função da CNAE vai muito além da formalidade no CNPJ. Ela serve para:

  • Definir a área de atuação da empresa;

  • Determinar o regime tributário aplicável (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real);

  • Estabelecer o enquadramento sindical e as convenções coletivas de trabalho;

  • Permitir a correta fiscalização pelos órgãos públicos;

  • Garantir benefícios fiscais e evitar cobranças indevidas;

  • Facilitar pesquisas e estatísticas econômicas, realizadas por órgãos como o IBGE.

Além disso, o CNAE é essencial para emissão de notas fiscais, licenciamento de atividades, alvarás de funcionamento e autorizações específicas, como vigilância sanitária ou registro em conselhos profissionais.

Exemplos de CNAE?

Cada atividade econômica tem um código específico. Veja alguns exemplos:

  • 7020-4/00 – Consultoria em gestão empresarial;

  • 6911-7/01 – Serviços advocatícios;

  • 5611-2/05 – Bares e estabelecimentos de bebidas com entretenimento;

  • 7311-4/00 – Agências de publicidade;

  • 6201-5/01 – Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda;

  • 7111-1/00 – Serviços de arquitetura;

  • 7912-1/00 – Operadores turísticos.

Para o MEI (Microempreendedor Individual), também há códigos específicos, como:

  • 8230-0/01 – Promotor de eventos independente;

  • 1412-6/02 – Costureiro sob medida;

  • 5611-2/01 – Proprietário de restaurante;

  • 4761-0/01 – Livreiro independente.

CNAE principal e CNAEs secundárias

Uma empresa pode ter mais de um CNAE.
O CNAE principal é aquele que representa a atividade que mais gera receita, enquanto os CNAEs secundários correspondem a outras atividades complementares.

Por exemplo:

  • Atividade primária: 6204-0/00 – Consultoria em tecnologia da informação;

  • Atividade secundária: 8599-6/04 – Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial.

É importante que todas as atividades sejam compatíveis entre si e com o regime tributário escolhido. Caso contrário, o CNPJ pode ser considerado irregular.

Riscos de escolher o CNAE errado

A escolha incorreta do CNAE pode gerar diversos problemas legais e financeiros.
Entre os principais riscos estão:

  • Tributação indevida e pagamento de impostos a maior ou a menor;

  • Perda de benefícios fiscais e desenquadramento do Simples Nacional;

  • Multas e penalidades que podem chegar a 225% do imposto devido;

  • Autuações trabalhistas, por enquadramento sindical incorreto;

  • Impedimento na emissão de alvarás e licenças;

  • Irregularidade cadastral do CNPJ perante a Receita Federal.

Em casos mais graves, quando a escolha é proposital para reduzir impostos, o ato pode ser enquadrado como crime contra a ordem tributária, conforme a Lei nº 8.137/1990, com penas que vão de 6 meses a 5 anos de prisão.

CNAE e o enquadramento tributário

Cada CNAE está vinculado a um Anexo (ou tabela de alíquotas) dentro do Simples Nacional, o que define a alíquota de impostos aplicada.
Escolher um código diferente pode fazer a empresa sair de um anexo com carga menor (como o III, com 6%) para outro muito mais alto (como o V, com 15,5%).

Por isso, é fundamental que o CNAE reflita exatamente o tipo de serviço ou produto que a empresa oferece, e que o empresário conte com assessoria contábil para realizar o enquadramento correto.

Como consultar o CNAE?

É possível consultar a CNAE de uma empresa de forma gratuita e oficial pelos seguintes canais:

  • Site da Receita Federal (Redesim): permite emitir comprovante de inscrição e verificar CNAE principal e secundários;

  • Portal do IBGE: disponibiliza a tabela completa de códigos e descrições;

  • Portal do Empreendedor: para MEIs que desejam conferir ou alterar suas atividades cadastradas.

Como escolher o CNAE ideal?

Para descobrir o CNAE correto para sua empresa:

  1. Mapeie as atividades que sua empresa realmente exerce;

  2. Defina a principal (a que mais gera receita) e as secundárias;

  3. Pesquise os códigos correspondentes no site do IBGE;

  4. Verifique se são permitidos no regime tributário escolhido;

  5. Consulte um contador, que poderá confirmar o enquadramento e indicar possíveis ajustes.

Um erro comum é escolher CNAEs genéricos ou basear-se no código de outra empresa. Cada negócio é único, e o CNAE deve refletir com precisão sua operação.

Como alterar ou incluir uma CNAE?

Se você identificou que o CNAE da sua empresa está incorreto ou deseja incluir uma nova atividade, siga estes passos:

Para MEI:

  • Acesse o Portal do Empreendedor;

  • Vá em “Já sou MEI” → “Atualização Cadastral”;

  • Inclua ou altere o CNAE desejado.

Para micro, pequenas e médias empresas:

  • Verifique se o novo CNAE é permitido no regime tributário atual;

  • Altere o Contrato Social da empresa;

  • Registre a alteração na Junta Comercial;

  • Atualize o cadastro na Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Prefeitura;

  • Solicite novas licenças, se necessário.

Esses procedimentos garantem que a empresa continue regular e evite problemas fiscais no futuro.

Por que contar com apoio contábil?

O CNAE é o ponto de partida para toda a estrutura fiscal de uma empresa.
Por isso, contar com um contador desde o início é fundamental para:

  • Definir corretamente as atividades econômicas;

  • Escolher o melhor regime tributário;

  • Evitar enquadramentos indevidos e autuações;

  • Aproveitar benefícios fiscais específicos do setor;

  • Manter o CNPJ sempre regular.

Um acompanhamento contábil especializado evita prejuízos e garante que sua empresa cresça de forma segura, transparente e dentro da lei.

Conclusão

A CNAE é muito mais do que um simples código cadastral.
Ela representa a identidade econômica da empresa, define como será tributada e influencia diretamente na sua legalidade e competitividade.
Escolher o CNAE correto é o primeiro passo para construir um negócio sólido e sustentável, e, se necessário, ajustá-lo com a orientação de um profissional contábil é a melhor forma de manter sua empresa em conformidade.

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