Com a aproximação do fim do prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda 2026, cresce também a ação de criminosos digitais que tentam se aproveitar da pressa, da preocupação e da falta de informação de muitos contribuintes. Neste período, mensagens falsas sobre pendências fiscais, restituições bloqueadas, supostas multas e irregularidades no CPF costumam circular com mais intensidade por e-mail, SMS, WhatsApp e redes sociais.
A Receita Federal já havia alertado, em março de 2026, que o prazo de envio da declaração ocorre entre 23 de março e 29 de maio, período em que os contribuintes devem redobrar a atenção com links suspeitos, boletos falsos e pedidos de pagamento enviados por canais não oficiais. O órgão reforça que não solicita regularização por WhatsApp, redes sociais ou mensagens com links. A comunicação oficial ocorre pela Caixa Postal Digital, acessada no e-CAC, ou por correspondência física oficial.
O cenário é especialmente preocupante porque os golpes não se limitam mais a mensagens mal escritas ou páginas amadoras. Muitos sites falsos são criados com aparência semelhante à de plataformas oficiais do governo, utilizando termos como “Receita Federal”, “gov”, “IRPF”, “regularização”, “malha fina” e “restituição”. Essa semelhança visual e textual pode confundir o contribuinte, principalmente quando a mensagem traz tom de urgência ou ameaça.
De acordo com levantamento da Kaspersky, empresa especializada em cibersegurança, 61 domínios fraudulentos relacionados ao Imposto de Renda já haviam sido identificados apenas no mês de março de 2026. Esses sites eram usados como isca para roubo de dados pessoais, credenciais da conta gov.br e aplicação de fraudes financeiras por meio de PIX ou boleto falso. Já na reta final da entrega, reportagens do setor contábil apontaram que esse número chegou a 120 sites falsos relacionados ao IRPF em 2026, quase o dobro do registrado no início do prazo.
A estratégia dos criminosos é simples: criar medo e induzir o contribuinte a agir rapidamente. Em geral, a vítima recebe uma mensagem informando que há alguma pendência em sua declaração, bloqueio de restituição, problema no CPF, risco de multa ou inclusão na malha fina. Para resolver a suposta irregularidade, o texto orienta o contribuinte a clicar em um link, preencher dados ou realizar um pagamento imediato.
Ao acessar o endereço indicado, a pessoa pode ser levada a uma página falsa que imita sistemas oficiais. Nesses ambientes fraudulentos, os criminosos tentam obter dados como CPF, nome completo, telefone, endereço, informações bancárias, senha da conta gov.br e até códigos de autenticação. Em outros casos, a fraude busca convencer a vítima a pagar uma taxa inexistente, geralmente por PIX ou boleto.
A Receita Federal reforça que não envia mensagens com links para regularização de pendências, nem solicita dados pessoais, bancários ou pagamentos por SMS ou aplicativos de mensagens. A consulta de informações fiscais deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais do governo.
Um dos pontos mais sensíveis desses golpes é o roubo de acesso à conta gov.br. Essa conta concentra diversos serviços públicos digitais e pode permitir acesso a informações fiscais, previdenciárias, trabalhistas e bancárias vinculadas ao cidadão.
Quando criminosos conseguem obter login, senha ou códigos de verificação, podem causar prejuízos financeiros e burocráticos relevantes. Por isso, a ativação da autenticação em duas etapas é uma das medidas mais importantes para aumentar a proteção da conta.
Além disso, o contribuinte nunca deve inserir sua senha gov.br em páginas acessadas por links recebidos em mensagens. O ideal é digitar o endereço oficial diretamente no navegador ou acessar os serviços pelos aplicativos e portais oficiais do governo.
Alguns elementos costumam aparecer com frequência nos golpes envolvendo o Imposto de Renda. O contribuinte deve desconfiar de mensagens que:
afirmam que a restituição está bloqueada ou prestes a vencer;
mencionam multa imediata ou risco de CPF irregular;
exigem pagamento urgente por PIX, boleto ou QR Code;
trazem links encurtados ou endereços estranhos;
pedem senha da conta gov.br ou dados bancários;
simulam visualmente páginas da Receita Federal;
usam linguagem ameaçadora para forçar uma ação rápida.
A Receita Federal informa que seus e-mails, quando enviados em situações específicas, não contêm links e não solicitam informações pessoais. Portanto, qualquer mensagem que peça clique, pagamento ou preenchimento de dados deve ser tratada com extrema cautela.
A principal orientação é nunca agir por impulso. Mesmo que a mensagem pareça urgente, o contribuinte deve verificar a informação diretamente nos canais oficiais antes de tomar qualquer providência.
O acesso à declaração, pendências, restituições e demais informações fiscais deve ser feito pelo site oficial da Receita Federal, pelo portal e-CAC ou pelos aplicativos oficiais. Também é importante conferir cuidadosamente o endereço eletrônico antes de inserir qualquer dado.
Outra medida essencial é manter a conta gov.br protegida com senha forte e autenticação em duas etapas. O contribuinte também deve evitar compartilhar códigos de segurança recebidos por SMS, e-mail ou aplicativo autenticador, pois esses códigos podem ser usados para invadir contas.
Caso receba uma mensagem suspeita, a recomendação é não clicar no link, não responder, não baixar anexos e não realizar nenhum pagamento. Em caso de dúvida, o cidadão deve procurar diretamente os canais oficiais de atendimento da Receita Federal.
Também é importante lembrar que a obrigação de declarar não deve ser verificada por mensagens recebidas de terceiros, mas pelas regras oficiais da Receita Federal. Em 2026, está obrigado a entregar a declaração quem, em 2025, recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, receita bruta de atividade rural acima de R$ 177.920,00, entre outras hipóteses.
Também podem estar obrigados contribuintes que realizaram operações em bolsa, obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos, possuíam bens e direitos acima do limite definido pela Receita Federal ou se enquadram em outras situações previstas nas normas do IRPF.
A reta final da declaração é um período de maior vulnerabilidade porque muitos contribuintes deixam o envio para os últimos dias. Essa pressa é justamente o que os criminosos exploram: quanto maior o medo de perder o prazo, pagar multa ou ter a restituição bloqueada, maior a chance de a vítima clicar em links falsos sem verificar a origem da mensagem.
Por isso, a melhor forma de prevenção é combinar informação, calma e checagem. O contribuinte deve desconfiar de qualquer abordagem que peça dados, senha ou pagamento fora dos canais oficiais. No Imposto de Renda 2026, a pressa pode ser a principal aliada dos golpistas e a atenção continua sendo a melhor defesa.