Ultrapassei o limite do MEI: e agora? Entenda o que fazer

Atualizado em 30/03/2026

Se você é Microempreendedor Individual (MEI) e percebeu que seu faturamento está chegando perto do limite anual, isso é um ótimo sinal: seu negócio está crescendo. Porém, esse crescimento exige atenção, pois ultrapassar o teto do MEI traz obrigações importantes.

Neste artigo, você vai entender o que acontece quando o limite é excedido, como funciona o desenquadramento e quais são os próximos passos para manter sua empresa regular.

Qual é o limite de faturamento do MEI?

Atualmente, o limite anual do MEI é de R$ 81.000, o que corresponde a uma média mensal de aproximadamente R$ 6.750.

Esse valor é definido pela legislação do Simples Nacional e vale tanto para empresas novas quanto para aquelas que já estão em atividade há mais tempo.

Atenção ao cálculo proporcional

Se o CNPJ foi aberto no meio do ano, o limite não será os R$ 81 mil completos. Ele deve ser calculado proporcionalmente ao tempo de atividade.

Exemplo:

  • Empresa aberta há 6 meses → limite de R$ 40.500

Ou seja, é essencial considerar o período de funcionamento para não ultrapassar o teto sem perceber.

Existe previsão de aumento do limite do MEI?

Há um projeto em tramitação que propõe aumentar o limite de faturamento para R$ 150 mil por ano.

A proposta também prevê atualização automática desse valor com base na inflação, evitando que o teto fique defasado ao longo dos anos.

Importante: até o momento, essa mudança ainda não foi aprovada. Portanto, o limite oficial continua sendo R$ 81 mil.

O que acontece ao ultrapassar o limite do MEI?

As consequências variam conforme o quanto o faturamento excedeu o limite.

Excesso de até 20%

Se o faturamento anual ficar até 20% acima do limite (até R$ 97.200):

  • O MEI será desenquadrado

  • A empresa passa a ser considerada Microempresa (ME)

  • A tributação passa a seguir as regras do Simples Nacional

Excesso acima de 20%

Se o faturamento ultrapassar esse percentual:

  • O desenquadramento também acontece

  • A cobrança de impostos será retroativa ao início do ano

  • Podem surgir multas e juros sobre valores não pagos

Esse é o cenário que mais gera prejuízo, por isso, o planejamento é essencial.

Quais impostos você passa a pagar ao sair do MEI?

Ao migrar para Microempresa, a tributação muda completamente. A empresa passa a recolher impostos como:

  • IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica)

  • CSLL

  • PIS e COFINS

  • INSS patronal

  • ISS ou ICMS (dependendo da atividade)

As alíquotas iniciais costumam ser:

  • 4% para comércio

  • 4,5% para indústria

  • 6% para serviços

Esses percentuais podem aumentar conforme o faturamento e o enquadramento da atividade.

Como saber se você está perto de ultrapassar o limite?

O controle deve ser feito mensalmente. Se sua média estiver próxima de R$ 6 mil ou mais, já é um sinal de alerta.

Exemplo prático:

  • Janeiro: R$ 6.700

  • Fevereiro: R$ 13.400

  • Março: R$ 20.800

  • Novembro: R$ 74.000

  • Dezembro: R$ 81.500

Nesse caso, o limite foi ultrapassado no fim do ano. Se o empreendedor tivesse se antecipado, poderia evitar cobranças retroativas.

O que fazer ao ultrapassar o limite do MEI?

Se você identificou que ultrapassou (ou vai ultrapassar), o ideal é agir rápido.

Passos principais:
  1. Solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional

  2. Atualizar o cadastro na Junta Comercial

  3. Regularizar dados na Prefeitura e na Secretaria da Fazenda

  4. Ajustar informações no eSocial

Esse processo formaliza a mudança para Microempresa e evita problemas fiscais.

Vale a pena sair do MEI antes de atingir o limite?

Na maioria dos casos, sim.

Antecipar o desenquadramento permite:

  • Evitar impostos retroativos

  • Planejar melhor a carga tributária

  • Estruturar a empresa para crescimento

  • Reduzir riscos com o fisco

Ou seja, sair do MEI no momento certo pode ser uma decisão estratégica, não apenas uma obrigação.

Conclusão

Ultrapassar o limite do MEI não é um problema, é um indicativo de evolução do seu negócio. No entanto, ignorar esse ponto pode gerar custos desnecessários e complicações fiscais.

O segredo está no controle financeiro e no planejamento. Acompanhar o faturamento de perto e agir com antecedência garante uma transição tranquila para o próximo nível da sua empresa.

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