Split Payment: o que é, como funciona e qual será o impacto para as empresas brasileiras

Atualizado em 11/12/2025

Com a Reforma Tributária avançando, o tema Split Payment voltou a ganhar destaque, e com razão. Esse novo mecanismo promete mudar profundamente a forma como as empresas recolhem impostos nas transações comerciais, trazendo mais controle para o governo e exigindo uma adaptação significativa no sistema financeiro e nas rotinas fiscais das organizações.

Apesar de parecer complexo à primeira vista, o Split Payment pode ser entendido de forma simples: ele altera quem recebe o valor do imposto no momento da operação. E isso, claro, muda muito mais do que parece.

Neste artigo, você vai entender o que é o Split Payment, como ele funciona, para que serve, quais setores serão mais impactados e como sua empresa pode se preparar desde já.

O que é Split Payment?

O Split Payment traduzido como “pagamento dividido”, é um mecanismo no qual o valor do tributo é retido automaticamente no momento da transação comercial e direcionado diretamente para o governo, em vez de ser repassado pela empresa que vendeu o produto ou serviço.

Ou seja, a empresa recebe apenas o valor líquido da venda, enquanto o imposto é separado e enviado para a conta correta do fisco de forma automática.

O modelo é inspirado em sistemas adotados em alguns países europeus e tem como principal objetivo reduzir sonegação e aumentar a segurança na arrecadação.

Como o Split Payment funciona na prática?

O fluxo é relativamente simples:

  1. O cliente realiza uma compra.

  2. O sistema de pagamento (cartão, PIX, boleto ou outro meio de pagamento eletrônico) identifica a necessidade de recolher o tributo.

  3. O valor total da compra é dividido:

    • uma parte vai para o governo (impostos)

    • outra parte vai para a empresa (valor líquido da operação)

Essa divisão é registrada automaticamente dentro da infraestrutura financeira do país, eliminando etapas manuais e reduzindo riscos de erros ou fraudes.

Por que o Split Payment foi criado?

O principal propósito é combater a inadimplência tributária.
Hoje, muitas empresas recolhem os impostos depois de venderem, o que abre espaço para atrasos, inadimplência e até para a sonegação.

Com o Split Payment, o governo passa a receber primeiro.
Assim, o risco não recai mais sobre o fisco, mas sim sobre quem realiza a operação.

Além disso, o modelo promete:

  • Redução de fraudes fiscais

  • Facilitação da fiscalização

  • Aumento da transparência

  • Diminuição de disputas tributárias

  • Maior previsibilidade na arrecadação pública

Quais empresas serão afetadas?

A princípio, todas as empresas que realizam vendas sujeitas aos novos tributos da Reforma Tributária poderão ser impactadas.

Entretanto, alguns setores tendem a sentir efeitos mais fortes:

  • Comércio varejista, especialmente vendas digitais

  • E-commerce, marketplaces e plataformas de pagamento

  • Prestadores de serviços recorrentes

  • Empresas que operam com margens mais apertadas

  • Negócios que utilizam intermediários financeiros

  • Setores com maior índice de sonegação identificada

O Split Payment poderá afetar diretamente o fluxo de caixa dessas organizações, já que os impostos não transitarão mais pelo caixa da empresa.

Impactos no fluxo de caixa

Esse é um dos pontos de maior preocupação.

Com o Split Payment, a empresa:

  • não poderá usar temporariamente o valor do imposto como caixa, como muitas fazem hoje

  • receberá menos dinheiro por venda (valor líquido)

  • terá que repensar prazos, reservas e controles financeiros

Ou seja, mesmo que o tributo não aumente, a sensação de caixa reduzido será imediata.
Isso exige planejamento e reestruturação financeira para evitar apertos no curto prazo.

Tecnologia e adequação dos sistemas

Para que o Split Payment funcione, será necessária uma estrutura tecnológica robusta, integrada e padronizada. Isso envolve:

  • meios de pagamento

  • bancos

  • sistemas ERP

  • emissores de notas

  • gateways de checkout

  • fintechs

  • contabilidade automatizada

A tendência é que os próprios sistemas evoluam para absorver essa responsabilidade, mas empresas precisam se preparar desde já para:

  • atualizar softwares

  • ajustar processos internos

  • integrar informações fiscais

  • melhorar organização dos dados

Vantagens do Split Payment

Apesar das mudanças, o modelo também traz benefícios:

  • Redução de litígios tributários

  • Menor risco de autuações

  • Mais transparência fiscal

  • Queda gradual da sonegação

  • Simplificação do controle de tributos

  • Maior previsibilidade para o governo e para o mercado

Para empresas organizadas, isso pode até se tornar uma vantagem competitiva.

Desafios que as empresas podem enfrentar

Entre os principais desafios, destacam-se:

  • Necessidade de adequação tecnológica

  • Ajustes no fluxo de caixa

  • Dependência de atualização dos meios de pagamento

  • Transição complexa nos primeiros meses

  • Capacitação da equipe

  • Reestruturação de processos de vendas e financeiro

A preparação antecipada diminuirá consideravelmente esses efeitos.

Como sua empresa deve se preparar agora?

Para não ser surpreendida, sua empresa deve começar imediatamente a:

  • Mapear como o Split Payment afetará cada operação

  • Revisar políticas internas de preços e prazos

  • Reorganizar o fluxo de caixa

  • Atualizar sistemas de gestão

  • Alinhar financeiro, fiscal e contabilidade

  • Buscar orientação especializada sobre impactos específicos

Apesar de ainda haver pontos aguardando regulamentação detalhada, o processo de preparação é inevitável, e quanto antes começar, mais suave será a transição.

Conclusão

O Split Payment representa uma das mudanças mais significativas trazidas pela Reforma Tributária. Embora exija adaptações tecnológicas, reorganização do fluxo de caixa e uma maior integração entre sistemas financeiros e fiscais, o novo modelo também tende a trazer mais segurança, transparência e previsibilidade para o ambiente de negócios brasileiro.

Para as empresas, o grande desafio será antecipar-se às mudanças. Entender como o Split Payment afetará cada operação, atualizar processos internos, preparar a equipe e revisar estratégias financeiras são passos essenciais para atravessar a transição com tranquilidade. Quanto mais cedo a organização iniciar esse processo, menores serão os impactos e mais rápida será a adaptação ao novo sistema.

Se sua empresa precisa de apoio para analisar riscos, custos, impactos e caminhos de adequação ao Split Payment, a SiAnte está pronta para ajudar. Entre em contato e conte com uma equipe especializada para conduzir essa preparação com segurança e eficiência.

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